A QatarEnergy é a empresa de energia estatal do Catar, com sede em Doha, e é responsável pelos recursos de petróleo e gás do país ao longo de toda a cadeia, desde a exploração até à exportação. O seu presidente e diretor executivo é S.E. Saad Sherida Al-Kaabi, que é também o Ministro de Estado para Assuntos Energéticos do Catar. As receitas provenientes do petróleo e do gás natural representam cerca de 60 por cento do produto interno bruto do Catar, e a empresa reportou receitas de US$52 bilhões, um lucro líquido de US$42.4 bilhões e ativos totais de US$162 bilhões em 2022.
Da concessão à empresa nacional
A primeira concessão onshore no Catar foi atribuída em 17 de maio de 1935 à Anglo-Iranian Oil Company, que a transferiu em outubro de 1936 para a Petroleum Development (Qatar) Ltd, mais tarde renomeada Qatar Petroleum Company. O poço Dukhan No. 1 teve o início da perfuração em outubro de 1938 e encontrou petróleo em janeiro de 1940, mas a Segunda Guerra Mundial atrasou o desenvolvimento e o primeiro crude foi exportado em dezembro de 1949 através de um oleoduto de 73 milhas até Umm Said. No offshore, a empresa da Shell no Catar obteve uma concessão datada de 29 de novembro de 1952, e os campos de Idd Al-Shargi, Maydan Mahzam e Bul Hanine foram descobertos em 1960, 1963 e 1970, respetivamente.
O estado assumiu uma participação de 25 por cento nas concessões onshore e offshore em 1973 e a propriedade total das concessões onshore em setembro de 1976 e das operações offshore em fevereiro de 1977. A própria empresa nacional de petróleo data de 1974 e, após décadas como Qatar Petroleum, opera agora como QatarEnergy.
O North Field, capacidade de LNG e a frota de navios
O North Field, descoberto em 1971, é o maior campo de gás natural do mundo, cobrindo cerca de 6,000 quilómetros quadrados com mais de 900 triliões de pés cúbicos de gás recuperável. O desenvolvimento comercial começou em 1991, e a Ras Laffan Industrial City, comissionada em 1996 a cerca de 80 quilómetros a norte de Doha, tornou-se o centro de liquefação e processamento de gás. O local acolhe os comboios de LNG da QatarEnergy, as unidades de gas-to-liquids Pearl e Oryx, a unidade de processamento de gás Dolphin, a Laffan Refinery e centrais integradas de energia e água, e o seu porto é o maior porto artificial do mundo.
Em fevereiro de 2021, a empresa assinou um contrato de engenharia, fornecimento e construção com a Chiyoda e a Technip para a expansão do North Field East, um projeto avaliado em cerca de US$28.7 bilhões. A Shell, a TotalEnergies e a ExxonMobil assumiram 6.25 por cento cada uma nesse projeto e a Eni e a ConocoPhillips 3.125 por cento cada. A primeira fase eleva a capacidade de exportação de 77 milhões de toneladas por ano para cerca de 110 milhões de toneladas, adicionando 32.6 milhões de toneladas de LNG, 1.5 milhões de toneladas de etano, 4 milhões de toneladas de GPL, 250,000 barris por dia de condensados e 5,000 toneladas por dia de hélio. A fase North Field South, na qual a Shell e a TotalEnergies detêm 9.375 por cento cada e a ConocoPhillips 6.25 por cento, foi concebida para elevar a capacidade para cerca de 126 milhões de toneladas por ano a partir de 2028.
Acordos de fornecimento de longo prazo
- A Sinopec assinou um acordo de venda de 27 anos em novembro de 2022 e assumiu uma participação de 5 por cento num comboio de 8 milhões de toneladas em abril de 2023.
- A CNPC acordou um contrato de 27 anos para 4 milhões de toneladas por ano em junho de 2023.
- A Eni contratou 1 milhão de toneladas por ano durante 27 anos a partir de outubro de 2023, para entrega no terminal de regaseificação de Piombino, em Itália.
- A Petronet LNG da Índia assinou um acordo de 20 anos em fevereiro de 2024 cobrindo fornecimentos além de 2028, e a CPC Corporation de Taiwan um contrato de 27 anos para 4 milhões de toneladas por ano em junho de 2024.
- O condensado é vendido à ENOC dos Emirados Árabes Unidos sob um contrato de 10 anos para 120 milhões de barris assinado em julho de 2023, e à Mitsui sob um acordo de 10 anos para 11 milhões de barris por ano a partir de abril de 2024.
- A Koch Fertilizer concordou em comprar cerca de 740,000 toneladas de ureia por ano durante 15 anos a partir de julho de 2024.
Para movimentar os volumes, a QatarEnergy encomendou 17 navios de transporte de LNG à HD Hyundai Heavy Industries em setembro de 2023 num negócio de US$3.9 bilhões, selecionou a Nakilat em fevereiro de 2024 para deter e operar até 25 navios num segundo lote, e assinou um contrato para 18 grandes navios com a China State Shipbuilding Corporation em abril de 2024. Um fretamento com a Mitsui O.S.K. Lines assinado em novembro de 2022 cobre mais três navios de transporte.
Campos, plantas e participações industriais
Onshore, a QatarEnergy opera o campo de Dukhan, cerca de 80 quilómetros a oeste de Doha, que produz petróleo bruto, gás associado e não associado e condensado. Offshore, produz a partir dos domos Idd El-Sharqi North e South, Maydan Mahzam e Bul Hanine, que entraram em operação em 1962, 1965 e 1972, e do campo Al-Murjan através da plataforma Al-Rayyan. Três estações de produção, PS-1, PS-2 e PS-3, fornecem mais de 100,000 barris de petróleo por dia juntamente com gás associado, e o petróleo e o condensado são transportados por oleoduto para Halul Island, que possui dez tanques de armazenamento com capacidade para mais de quatro milhões de barris e as suas próprias instalações de exportação e apoio.
Os interesses petroquímicos e industriais estão integrados em joint ventures: a QAPCO, detida em 80 por cento pela Industries Qatar e 20 por cento pela TotalEnergies, gere uma capacidade de 840,000 toneladas por ano de etileno e 780,000 toneladas de polietileno de baixa densidade; a QAFCO, 75 por cento Industries Qatar e 25 por cento Yara, pode produzir 2 milhões de toneladas de amoníaco e 2.8 milhões de toneladas de ureia por ano; a Q-Chem com a Chevron Phillips produz polietileno e 1-hexene em Mesaieed desde 2002; e a North Oil Company, 70 por cento QatarEnergy e 30 por cento TotalEnergies, opera o campo Al Shaheen.
Portfólio de exploração internacional
A sua pegada internacional expandiu-se durante 2026: em setembro assinou um acordo com a ANPG de Angola para blocos offshore juntamente com a Shell e a Sonangol; em maio adquiriu participações nos blocos uruguaios OFF-2, OFF-4 e OFF-7 à BG International, assumindo participações entre 18 e 30 por cento; em junho declarou uma descoberta comercial nos campos Glaucus e Pegasus no Bloco 10 offshore de Chipre e comunicou uma descoberta de petróleo no poço Merlin-1X na Namíbia; e em janeiro de 2026 acordou com o ministério da energia do Líbano a realização de levantamentos sísmicos no Bloco 8, onde detém uma participação de 30 por cento juntamente com a TotalEnergies e a Eni. Adições anteriores incluem blocos offshore no Canadá adquiridos à ExxonMobil em 2023, uma participação de 20 por cento no contrato de partilha de produção de Agua Marinha no Brasil, uma participação de 20 por cento no Bloco 5 operado pela Chevron offshore do Suriname em 2024 e as concessões Cairo e Masry offshore do Egito acordadas com a ExxonMobil e organismos estatais egípcios no mesmo ano.
Interrupção em tempo de guerra em 2026
A 2 de março de 2026, o terceiro dia da guerra do Irão, o ministério da defesa do Qatar informou que Ras Laffan e a área industrial de Mesaieed tinham sido atingidas por drones iranianos. A QatarEnergy interrompeu a produção de gás natural e produtos associados e declarou força maior nos carregamentos de gás natural liquefeito, elevando os preços mundiais do gás; a análise de satélite comunicada a 6 de março concluiu que o equipamento principal de liquefação aparentemente não foi danificado. Um novo ataque com mísseis a 18 de março atingiu o local, danificando duas das suas 14 unidades de produção e reduzindo a capacidade de produção de gás natural liquefeito em cerca de 17 por cento; autoridades do Qatar afirmaram que as reparações poderiam demorar de três a cinco anos e a empresa esperava perder receitas de aproximadamente 20 mil milhões de dólares americanos por ano. A 21 de junho, uma explosão na instalação de fornecimento de gás local de Barzan, operada pela empresa, matou pelo menos 13 trabalhadores e feriu 66 enquanto as operações interrompidas em março estavam a ser reiniciadas; o ministério do interior classificou o incidente como um acidente técnico e a empresa afirmou que as exportações não seriam afetadas, estando uma investigação em curso.
A refinação, marketing e trading situam-se ao lado da gestão de fornecimento e de um processo de concurso para fornecedores, e a página de contacto direciona todas as candidaturas de emprego para um portal de carreiras separado.