O petróleo Brent manteve-se acima dos 100 $ por barril durante a maior parte do último mês, mesmo com uma série de relatórios a indicar que os fluxos de crude do Médio Oriente voltaram ao normal. A referência era negociada a cerca de 60 $ antes da guerra, pelo que o nível atual representa um prémio de aproximadamente 40 $ que persiste há semanas. A questão que se coloca ao mercado é por que razão os preços não responderam à aparente recuperação da oferta física.
Os dados em questão provêm de serviços de rastreio de navios-tanque e bancos de investimento, que publicaram numerosos relatórios e números nas últimas semanas sobre os movimentos de crude através do Estreito de Ormuz. A imagem combinada é de fluxos que recuperaram para níveis pré-guerra e, em algumas contagens, ultrapassaram-nos. Esse desajuste entre a recuperação dos barris físicos e uma referência que se mantém perto dos 100 $ é o enigma que a análise se propõe explicar.
A resposta do artigo começa com a observação de que o restabelecimento dos fluxos não restaura, por si só, um mercado. Argumenta que o trânsito de crude por Ormuz regressar aos níveis pré-guerra não é o mesmo que o mercado regressar às condições pré-guerra. Enquadrando a situação como uma "tempestade perfeita", o artigo aponta para uma convergência de fatores, em vez de uma causa única, por trás do persistente nível de preços.
Para as empresas que operam em toda a cadeia de valor do petróleo, a implicação é que os dados de fluxo, por si só, oferecem uma leitura incompleta da escassez do mercado. Os números de rastreio circularam amplamente nas últimas semanas, mas os preços não seguiram o sinal que transportavam. Até que as pressões que mantêm o mercado apertado sejam melhor compreendidas, o fosso de aproximadamente 40 $ entre a referência de hoje e o seu nível pré-guerra continuará a ser um dado central para o planeamento, compras e decisões de cobertura em todo o setor.
Fonte: Oilprice